Domingo, 27 de Julho de 2008
Despertar

 

“ Acima da minha vida eu preocupei-me com a vida do Hugo…
Não me lembro bem do que aconteceu naquela mina, foi como se a minha mente apagasse os últimos minutos da minha luta naquele local, mas lembro-me que o Hugo estava lá, também ele estava na mente de Eveline… Disso eu tenho a certeza…
Finalmente sai do hospital, aquilo foi uma loucura, mas parece que agora já está tudo resolvido, a Rafaela, o Rui e o Hugo, conseguiram fazer com que a policia acreditasse que a Eveline pertencia a um grupo satânico e nos tencionava matar, e que o Rui lhe espetara o canivete em legitima defesa… Ainda hoje não entendo muito bem como isso aconteceu, mas a verdade é que a vida voltou ao normal, tirando as horríveis dores que ainda tenho na cicatriz da cirurgia… Parece que aquilo foi um golpe feio e perdi muito sangue… Quando a Rafaela me contou isso até achei irónico, mas agora que estou quase faminta, uma vez que á mais de um mês que não bebo sangue, já não acho tanta piada á situação, o Rui acha que é melhor eu beber sangue humano para restaurar as forças, a esta hora a Rafaela e o Hugo devem estar na cozinha a fazer o meu lanche… Ainda continuo a achar nojenta a ideia de beber sangue da minha irmã, mas ela insiste em ajudar-me depois de tudo…”

 

 

 


música: No one (Alicia Keys)

publicado por VilandraTeresa às 18:53
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Magia

 

Mais um dia…
Aqueles dias em que passo a tarde ou a correr no areeiro, ou fechada num armazém a treinar a minha resistência ou os meus dons…
Hoje é mais um daqueles dias, daqui por 20 minutos a campainha vai tocar e vou sair desta sala de aula, e como sempre o Hugo vai estar á minha espera, com um delicioso frasco de sangue, vamos até ao armazém e almoçamos, e namoramos um bocado…
Ontem á noite estava na minha cama deitada a pensar, em como sete meses, tudo mudou, e eu me adaptei a esta triste situação, sim, eu, o Hugo, o Rui e a Alexa, somos uma espécie humana alternativa, bebemos sangue de animais e por vezes pessoas, somos uma alternativa á visão contemporânea dos vampiros, e resignamo-nos com a nossa existência. O facto de ter sido vitima de uma estranha metamorfose que alterou os meus sentidos, para uma atenção mais primitiva, vivo de sangue, e desfruto os dons que a metamorfose me dá, e apesar de ser errado algumas vezes uso isso em meu beneficio… E de pensar que tudo aconteceu em Setembro, quando os conheci… Foram eles (Principalmente o Hugo) que me fizeram despertar… As tonturas, a falta de apetite, as noites sem dormir, e depois aquele bar, e o sangue doce de uma pessoa que nunca vi na vida, ao principio sentia nojo e vergonha de mim, agora tal como ele eu entendi que não posso fazer nada contra isto…
Sou o que sou e sei o que sei…”

 

 

 

“Nada pode ensinar o que vai na alma… A minha está num estado de confusão que me gela a pele, e me faz ter vontade de chorar, onde estará o Hugo neste momento? Como estará ele? E a Alexa e o Rui? Não quero pensar no que poderá acontecer se aquele espécime for dos maus da fita… Não suportaria perder nenhum dos meus amigos, e muito menos o Hugo…
Será assim tão difícil, viver em paz?
Nós apenas desejamos a felicidade e o amor… Mas que mundo é este? Vivemos num ciclo vicioso, sem respostas, cujas únicas coisas que sabemos são meias verdades somadas a algumas suposições generalizadas pela história que o Rui estudou… Gostava de entender porque sou assim, e porque isto tudo aconteceu… O Hugo diz que todas as verdades tem o seu preço, e que não sabe se quer pagar o preço que a verdade sobre nós pode revelar, nesse sentido vejo-me obrigada a concordar com ele, mas será que o preço é assim tão grande, comparado com a nossa ignorância? O preço por não sabermos seja o que for pode sair mais caro que qualquer verdade…”
 
 

 


música: My Sacrifice (creed)

publicado por VilandraTeresa às 18:51
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Margem de Erro

 

“Aquele momento em que eu senti o meu coração explodir, ele batia cada vez mais de força enquanto o seu belo rosto se aproximava do meu, daquela maneira mágica tal como nos filmes… Minutos antes tínhamos desejado ir com calma, mas a força do desejo falou mais alto, com o meu rosto entre as suas mãos e com os nossos olhos fixos no infinito da nossa alma, os nossos lábios tocaram-se, senti-os quentes no meus lábios frios, a textura e a maneira como aconteceu… O nosso primeiro beijo, que á tanto tempo evitávamos… O beijo infame que prolongamos até as luzes do carrera surgirem no final da rua… Cada vez estou mais apaixonada por ele… Mas e amanha? Como será, voltaremos ao mesmo impasse? Como se esta noite fosse apenas um dos episódios de uma série de adolescentes? O importante não e como será, mas sim como foi… Desejava tê-lo aqui ao meu lado, e sentir o seu corpo definido e os seus lábios nos meus…
OH Desejo…
O desejo que levou a minha inocência…
E a dele também…
Agora onde vamos parar?
Quanto mais me aproximo dele, mais tenho medo de o perder…
Para a Samanta é diferente, ela já tinha o Rui antes de saber a verdade, agora é tudo muito mais complicado, mas a adoração dela por ele deixou bem visto que não se importa aquilo que ele é, porque ela o ama mesmo assim… Isso é para valorizar, e a coragem dela em permanecer ao nosso lado apesar de saber que o nosso ritmo é diferente e além disso o facto de enfrentar a intolerância da Alexa, só para seguir o caminho do Rui…”
 
 

música: Protege moi (Placebo)

publicado por VilandraTeresa às 18:50
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Eras tu...

 

“MEU DEUS!!!!
A Eveline faz parte de um grupo satânico…
Por momentos pensei que o que se tinha passado na cave á uma semana fosse algo com a Rafaela, algo que a tornasse como eu… Seria para mim mais fácil se ela soubesse o que se está a passar comigo neste momento… Mas afinal foi apenas um ritual satânico… Apenas? Irónica esta palavra, até porque não é nada tão singular, até acaba por ser preocupante… como é que uma pessoa que cresce ao nosso lado muda tanto como a Eveline? Ao ponto de sacrificar animais em nome de um culto… Porque é que as pessoas mudam? Será que eu vou mudar muito mais? E o Hugo? Não suportaria perde-lo agora…”

música: With you (Linkin Park)

publicado por VilandraTeresa às 18:49
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O dia Seguinte...

 

“Cada dia que passo me sinto mais egoísta…
Ao ouvir o que o Hugo contou sobre a infância de Alexa entendi que não passo de uma egoísta e egocêntrica, ela crescera sozinha e com diferenças que não a deixavam ser igual ás amigas, eu vivi num mundo de vestidos e companhias para bailes e raparigas que me seguiam para ter os melhores contactos, e apesar de eu achar que isso era fútil e desinteressante, entendi que era uma vida, uma maneira de estar, uma forma de fazer algo, mas nem Alexa nem Hugo tiveram uma oportunidade de serem fúteis ou apenas adolescentes, nunca foram a um baile, Alexa nunca escolhera um vestido e sofrera por pensar que o rapaz mais giro da escola não a iria convidar, ela já sabia que não podia se dar a esse luxo, não se envolver, e não se mostrar na realidade… Ela nunca teve a oportunidade de ser adolescente como eu tive…
Será que é esse facto que o Hugo usa para criar o abismo entre nós?
Apenas serei eu que de tão apaixonada não entendo o que ele quer dizer? Se o desejo entre nós é mútuo porque é que simplesmente não podemos tentar, era apenas uma oportunidade…
Oportunidade…
Oportunidade…
Acho que o problema é mesmo esse, eles nunca tiveram uma oportunidade para mudar de caminho e evitar que uma coisa má se tornasse numa coisa pior, ou que uma coisa vulgar se tornasse numa coisa melhor… Talvez se um dia o Hugo entender que a oportunidade ainda existe, ele entenda que não é assim tão difícil…
Difícil é para mim estar com ele e saber que nunca sairemos deste caminho, os pedaços do meu coração que se partem sempre que ele afirma desejar-me e não nos poder comprometer, é tão frustrante como um oásis num deserto… Ele não entende que nos mata aos poucos? O que o amor (caso falhe) não mata, ele estrangula agora com todas essas reflexões… Porque raio, criou ele um “nós” se apenas a opinião negativa dele entra em acção… Não terei direito a pronunciar-me sem medo e sem meias palavras? Que estou eu a dizer? Ele sabe perfeitamente a minha opinião e o meu desejo, e sabe que me magoa assim, mas o medo dele em me causar uma dor pior faz com que ele pense que esta minha dor é insignificante…
Do que é que ele tem medo?
Gostava de entender mas não consigo…
Sinto-me parva e impotente…
Aliás o problema é esse, não me sinto bem com nada do que a vida me dá agora…”

música: Into the Night (Chad Kroeger feat Carlos Santana)

publicado por VilandraTeresa às 18:49
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Uma Longa Noite...

 

“ Medo…
Apenas o medo…
E muito medo…
Acredito no que o Hugo me contou sobre ele, a Alexa e o Rui, mas mesmo assim custa a acreditar que essa diferença humana me ataque a mim… Gostava piedosamente de entender o que isto é, uma metamorfose, e daí? Eu? Porque eu? Porque é que eu vou ter que ser diferente? Agora que conseguira a minha vida solitária…
Por um lado é agradável pensar que tenho o Hugo aqui comigo, mas o motivo que nos uniu hoje é do mais terrível que me podia ter acontecido, gostava de acreditar que neste momento não existem quaisquer metamorfoses sensoriais e que eu e ele vamos até um bar beber uma bebida qualquer que não sangue e conversar sobre as coisas banais da vida, musica, cinema talvez da nossa vida mais pessoal, mas isso nunca irá acontecer… Se dantes eu achava que eu e o Hugo éramos diferentes, agora com esta nova teoria, acho que somos muito parecidos, aliás parecidos demais para nos compreender-mos e sobrevivermos a um encontro amoroso de primeiro grau, apesar de eu pensar excluir essa hipótese uma vez que ele sabe que estou apaixonada por ele, mas em contrapartida ele fez breves declarações que abanaram o meu coração, ele disse que me achou linda, e mesmo assim não se aproxima mais que isto? Serei eu que estou com a cabeça a andar tão depressa que já nem vejo direito a questão?
Serei uma aberração?
Serei amada pelo Hugo?
Poderei futuramente me alimentar de sangue e essa questão incomoda-me, mas talvez não tanto como o bater do meu coração por estar perto do Hugo…”

 

 

 

“Sinto-me a desfazer-me como se fosse um novelo de lã…
Sinto-me tão mal, que preferia não sentir o meu corpo nem a minha alma…
O Hugo tinha razão, o mundo não gira á minha volta e muito menos da maneira que eu quero… Quem sou eu para querer ser mais ou menos (ou até mesmo) diferente dos outros?
Sou uma espécie de egoísta egocêntrica… E á custa disse feri-me a mim e acima de tudo feri o Hugo, a única pessoa que é como eu, e que nutre o mesmo por mim que eu por ele…
Numa noite em que o medo foi superior a tudo desejei voltar atrás, mas só depois de desmaiar é que entendi, que se voltasse atrás nunca iria ter os braços do Hugo á volta da minha cintura, e se o pior é eu ser uma aberração, seria muito pior nunca ter tido um único segundo ao lado dele, só por ele, este sofrimento já faz sentido… Finalmente entendi… Tudo acontece por um motivo…”
 
 

 


música: Cry for you (Ashe)

publicado por VilandraTeresa às 18:47
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OS Alexandre

 

“Tem tanto de bonito como de complicado…
E eu tenho tanta estupidez…
Que raio foi aquilo no café, que atitude da minha parte o teria levado a agir daquela maneira? Se calhar a minha brincadeira foi mal canalizada…
E que raio de tonturas são estas… Se a Rafaela descobre aproveita já a oportunidade para me fechar num consultório médico, e por falar nela…”

 

 


música: I will love you (Fisher)

publicado por VilandraTeresa às 18:46
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Doce Ambição

 

“Não tenho forçosamente a mania da perseguição… Mas começa a tornar-se paranóico o facto de durante uma manhã me sentir vigiada sobre o olhar gélido de Alexa, qual será o problema dela? Medo de um bocado de concorrência feminina, ou apenas mau humor? Numa escola de 800 alunos parece que não sou só eu que tenho um determinado problema (assim o vou chamar porque não encontro palavra melhor) com ela… E o que é que ela e aqueles dois rapazes falavam sobre mim? Eu ouvi-a a pronunciar o meu nome… Qual é o problema deles? Só espero não arranjar problemas…
Alexa??? Qual será mesmo o nome dela? Alexandra talvez… Um nome tão subtil para uma frieza desumana…”

 

 

 

“Estou a dar em louca…
Nunca pensei que… Meu Deus, em que é que eu estou a pensar?
É impossível… Mas eu ouvi o gato e agora ele está morto…
Estou a ficar paranóica e maluca deve ser a única explicação… Não faz qualquer sentido o que quer que seja que eu estou a pensar… A Rafaela e a Eveline? Sangue e gatos? A única coisa que me ocorre é de alguma forma um ritual satânico, já li sobre isso algures, mas que sentido faz? Sinto-me tonta…
Muito tonta…
…”
 
 

 


música: In The End (Linkin Park)

publicado por VilandraTeresa às 18:44
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Isabel...
“Sinto-me aborrecida e cansada de não fazer nada, mesmo que queira ir dar uma volta aos arredores da cidade ou fazer umas compras, não tenho disposição para ir mais longe do hipermercado aqui perto, o meu anãozinho está com muita pouca gasolina, tenho medo de ficar sem depósito antes da primeira estação de serviço, aliás mesmo que por súbita evasão do espírito superior eu fosse mais longe que o hipermercado não sei muito bem para que lado me virar, sair sem companhia não é alternativa que eu tenha muito para lá desta minha desejosa solidão… Desejei a solidão piedosamente enquanto aluna famosa do Colégio de Santa Barbara, agora quero apenas passar despercebida, ter uma vida misteriosa, com um segredo talvez, ou com algo que me leve a ser uma pessoa diferente da idiota que sou, agarrada á fama e á beleza para sucumbir o caminho traçado pela minha irmã… Meu Deus eu adoro-a, mas não sou nem de perto idêntica a Rafaela Inês Andrade Roque, não quero ser a medica cirurgiã de família, ao lado da famosa advogada Rafaela. Eu tenho que ir mais longe, saltar talvez para o perfeito desconhecido e silencioso medo do escuro… Estou agora mesmo mentindo a mim mesma? Onde posso eu ambicionar ir? Sou uma mortal comum… (contra a minha vontade) e ainda por cima, tenho uma ligeira tendência para não entender piadas de adolescentes sobre outros seus idênticos… Acho que os anos de glória proporcionados pela Barbara me deixaram completamente parada no tempo… É de facto engraçado e apalhaçado o que estou aqui a dizer… Recomeçar do zero proponho-me eu? Não me parece que o vá fazer… Aliás nem quero pensar no que fazer muito menos naquilo em que me quero tornar, uma solitária… Não posso ambicionar tornar-me em algo premeditado pela mente sem antes saber se psicologicamente estou apta para a mudança… Daqui a três dias começam as aulas, nem sei o que fazer e muito menos como me comportar num estabelecimento de ensino publico, estou de certo modo familiarizada com determinados padrões de comportamentos que me ensinaram em Barbara que parece que nem sei como é agir sem pensar como me irão observar aqueles olhos mais simples… Credo… Como eu gostava de não ser tão eu… Como eu gostava de não ter tão perfeita consciência do meu padrão social… Quem me dera poder agir sem pensar primeiro… Parte de mim diz-me que ainda é possível mudar de rumo, outra parte (a que considero domesticada) diz-me para não o fazer, permanecer a eterna rainha do baile é algo que preenche o meu subconsciente egoísta e programado… Ai!!! AI!!! Ai, Barbara… No que é que me tornaste? Ou será que a culpa é minha por me deixar enfeitiçar pela sociedade que me obrigaram a viver? Amanha reajo… Amanha respirarei… Amanha não será como hoje…”

música: Faded Line (Lamb of God)

publicado por VilandraTeresa às 18:40
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